Como o uso misto e a preservação de prédios históricos qualificam os bairros

Muitas cidades reconhecem a importância e o significado de seus antigos prédios ou construções que, pequenos ou grandes, resistem ao tempo para continuar a contar um pouco do passado daquele local, fazem reviver lembranças ou então suscitar a curiosidade de quem observa e procura saber mais sobre a história. Muitas outras não dão o mesmo valor para esses prédios e acabam cedendo o espaço a projetos imobiliários que buscam cada vez mais áreas para edifícios cada vez mais altos. Já outras apenas permitem que o tempo e a falta de preservação os derrubem. Um estímulo para mudar os dois últimos cenários pode estar nas revelações de estudos já realizados a respeito: cidades com edificações mais antigas e menores registram mais altas densidades, diversidade, maior número de pequenos negócios e atividades empreendedoras e mais habitações acessíveis.

“Ideias ultrapassadas podem às vezes usar novas edificações. Novas ideias devem usar antigas construções. Cidades precisam tanto de edifícios antigos que é provavelmente impossível que ruas e bairros dinâmicos possam crescer sem eles.” – Jane Jacobs

A frase de Jane Jacobs resume o objetivo do trabalho da iniciativa ReUrbanism, que trabalha junto às cidades para desenvolver formas de adaptar o uso de prédios como ferramenta fundamental para o crescimento econômico e a promoção de comunidades vibrantes. A famosa urbanista é, de fato, uma das maiores inspirações para o projeto, que segue os mesmos princípios de comunidades mais inclusivas, equitativas e criativas defendidos por Jacobs.

A ideia difundida pela ReUrbanism é a de que, para transformar os lugares onde vivemos em lugares que amamos, antigas construções são componentes vitais e insubstituíveis e sua presença fortalece e enriquece esses locais. “Esses espaços surgem organicamente onde as pessoas escolhem se reunir e a partir das histórias locais que gostariam de ver preservadas”, diz o site da organização.

Para praticar ações sustentáveis de reuso, reciclagem e reinvenção, a NTHP identificou os 10 princípios do ReUrbanismo:

  1. Cidades só são bem-sucedidas quando funcionam para todos.
  2. Locais antigos proporcionam a particularidade e a personalidade que geram o sucesso.
  3. Bairros antigos são motores econômicos.
  4. Novas ideias, e a Nova Economia, prosperam em prédios mais antigos.
  5. Preservação é a reutilização adaptativa e vice-versa.
  6. Preservação é saber administrar mudanças.
  7. Cidades são para pessoas, não veículos.
  8. O prédio mais verde é aquele que já está construído.
  9. A densidade pode ser atingida de diversas formas.
  10. Todas as comunidades têm histórias e lugares que importam.

Concluímos que, uma cidade inteligente é construída também com o que o passado nos oferece, e não só o futuro. Soluções prontas podem estar esquecidas em cada bairro, basta apenas enxergá-las com a importância que merecem. Elementos cada vez mais perseguidos pelas cidades, como caminhabilidade, densidade, diversidade e vitalidade nas ruas, podem ser conquistados com o novo e o velho mesclados, contando o passado e o futuro.

 

 

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/871981/como-o-uso-misto-e-a-preservacao-de-predios-historicos-qualificam-os-bairros